Tradução do Ciço de Luzia

Tradução do Ciço de Luzia

Tradução do Livro do Ciço de Luzia para o idioma inglês

  • Naturalmente que todo artista queira e até mereça viver da arte. No caso do escritor local é muito mais tortuoso chegar a essa condição, mode que envolve situações que nunca ele sabe vencer sozinho, aliás, vencer sozinho é algo que nem existe.
  • Quando escrevi Ciço de Luzia, há nove anos o sentimento era de lembrança. A minha infância, a marcante Fazenda Macaxeira e suas tantas terras secas, sua casa principal, a poeira da rodagem e o barulho dos caminhões ao longe que lembravam Vital faria e Luiz Gonzaga. Personagens reais como minha querida tia Judith, os moradores Vitô e Luzinete, o vaqueiro Zezinho, a professora Margarida, a curva depois do grupinho que  se imaginava a chegada a São Sebastião do Umbuzeiro, o pontilhão antes de Zabelê, o atalho para pegar o pão da tarde na bodega de Agamenon. O homem usa o tempo para apagar. O escritor usa o tempo para lembrar.
  • Feito Ciço de Luzia e tendo eu uma experiencia riquíssima e pontual nos Estados Unidos, e de lá nada ver daqui, e de lá nada ligar ao que aqui temos, a não ser as comparações inevitáveis, e de ver as mesmas inscrições em camisas que temos aqui, resolvi fazer o inverso. Vou traduzir um livro meu.
  • Como não sei nada do inglês, acredito estar três camadas abaixo do Pré-sal do  falar e entender inglês, recorri a quem sabe com maestria, quem tem tutano para essas coisas, pedi socorro a professora Karine Soares, do Departamento de Letras da UEPB ( a melhor universidade do mundo!) e ela de pronto me elencou quem poderia pegar na rodilha, mas me atentou para um nome que começava parecido com o seu: Kaline Brasil.
  • Achei estranho que uma tradutora que fosse cuidar desse processo levasse como sobrenome o nome do meu pais. Gostei.
  • O trabalho da professora Kaline foi feito a goles. Foi feito com um pedaço de rapadura no lado de dentro da boca, devagar como tinha que ser, duvidoso como precisava ser… houve muito esmero de Kaline no mudar as palavras e mantendo o sentido. Um trabalho árduo e envolvente, feito no toque das digitais mentais, feito no viver dela em um mundo que eu fiz de papel. Perguntas e respostas, pitacos e mudanças: a tradução estava pronta. Kaline escreveu um novo velho livro, a editora Leve o publicou e hoje o Ciço And Luzia é uma realidade.
  • A peleja agora é fazer o inverso: é levar nossos termos como arupemba, macambira, Rolinha Maquiada, Toco, Pitôco e Catôco para a terra que nos cobre de falares diferentes nos cinemas, nas roupas, nas tvs, nos produtos, nas fachadas das nossas loja e nos nossos meninos e meninas. Passei  a infância e juventude leitora acompanhando Tex, Butch  Cassidy e Sundace Kid, Zorro, Durango Kid e não conseguia ligar o deserto que tem perto de Cabaceiras as pradarias do Texas, e nem tampouco  as cadeias de montanhas de São Joao do Tigre ao Grand Canyon do Arizona ( que aqui era marca de cigarro). Agora eles talvez tentem fazer essa ligação ao lerem Camalaú, Congo e Monteiro
  • É isso.
  • Ciço And Luzia é uma provocação a nós mesmo. A nos usarmos e nos consumimos. A levar o que tanto nos chega.
  • Ciço de Luzia, saindo das vísceras do Cariri paraibano é agora produto internacional.
  • Que seja devorado.

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